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Preservar o patrimônio histórico de Minas Gerais é causa de todos os brasileiros, preocupação dos homens de sensibilidade e cultura de todo o mundo.
Espetáculo lamentável, mostrando uma cada vez mais preocupante africanização de nossos costumes no que toca a conceitos estéticos e valores urbanos, tem ameaçado essas cidades que nos dão orgulho, atraem visitantes temporários ou permanentes, movimentam empregos no turismo, nas partes, no restauro.
A demagogia, o populismo e a falta de coragem cívica vêm permitindo nos últimos vinte anos a perda de identidade de muitas de nossas cidades históricas, a começar por Ouro Preto.
O problema é político, de vontade política. Ouro Preto é um centro preservado – ainda que já violentado – de pouca expressão eleitoral, com periferia densamente populosa, desordenada, sob o ponto de vista urbano e sanitário, com agressões ao meio ambiente e à preservação da paisagem.
A solução lógica neste caso parece ser a simples emancipação do Primeiro Distrito, o centro histórico, que teria todo o interesse em preservar sua arquitetura e sua paisagem, na defesa das atividades voltadas para o turismo e o estudo.
Mas o ideal é que estes centros passem à administração federal, sob a guarda do Patrimônio Histórico, com um Conselho Consultivo composto por notáveis, escolhidos entre os que têm compromisso com a preservação.
Algo precisa ser feito, com urgência, para que o Brasil não perca esse patrimônio, esse reconhecimento, em humilhante demonstração de falta de cultura, sensibilidade e educação. Não cabe em nome da Democracia, que nem estaria em jogo na questão, a entrega de nossas cidades – e as de outros estados – à gestão irresponsável de demagogos. Nem que haja nova legislação, que dê mais força ao Patrimonio Histórico para conter esta tendência terceiro-mundista de muitos de nossos prefeitos de cidades históricas.
A eleição de Angelo Oswaldo de Araújo Santos, Secretário da Cultura de Minas no governo de Itamar Franco, foi um exemplo raro de acerto eleitoral. Mas bastou que ele perdesse uma eleição para Ouro Preto sofrer agressões vergonhosas.
Ë preciso dar um basta neste quadro. Enquanto é tempo.