A REVOLUÇÃO DE 1842
 

As forças dominantes da época, divididas entre liberais e conservadores, viviam em constantes conflitos. Com a maioridade de D. Pedro II, em 1840, o Partido Conservador assume o poder. A aristocracia provincial (pertencente ao Partido Liberal) não aceita. Inicia-se, então, em São Paulo, a Revolução Liberal, em 17 de maio de 1842, sob a liderança de Tobias de Aguiar. Os rebeldes, com o apoio do padre Feijó e da população de algumas vilas, tentam avançar sobre a capital e são derrotados pelo Barão de Caxias, líder do “Exército Pacificador”, como eram chamadas as tropas sob seu comando.
Pouco antes da derrota dos paulistas, Minas Gerais adere à luta. No final de julho, o Duque de Caxias chega a Minas. Em 20 de agosto, acontece o memorável combate de Santa Luzia, vencido com dificuldades pelas forças legais, que lutavam contra cerca de 3.300 revolucionários, que sabiam tirar partido tático das excelentes condições defensivas oferecidas pelo local. Inseguros, os revolucionários procuraram concentrar-se no arraial de Santa Luzia, que proporcionava, por sua posição numa serra, facilidades de visão e tiros sobre os seus acessos, além de apoiar um de seus flancos no Rio da Velhas.
Com a vitória de Caxias em Santa Luzia, teve fim a revolta de Barbacena1 . A batalha durou dois meses e dez dias e causou sérias preocupações à Corte por sua consistência militar.
Em 29 de agosto, Caxias, aos 39 anos, foi promovido a marechal-de-campo graduado – o que corresponde ao atual general-de-divisão. Chegou vitorioso e aclamadíssimo em Ouro Preto a 10 de setembro. Dois meses depois, em 2 de novembro, assumia, no Rio Grande do Sul, a presidência e o comando das Armas.
Depois do violento combate de Santa Luzia, os principais líderes liberais são presos e, em 1844, iniciam-se as negociações de paz2 , alcançada após a anistia desses rebeldes, em 1º de março de 1845, com a Paz de Ponche Verde2 . No entanto, o Partido Liberal só voltaria ao poder em 1862.
As pacificações do Maranhão, São Paulo, Minas Gerais e do Rio Grande do Sul preparariam Caxias para conduzir os brasileiros à vitória nas guerras externas contra Oribe e Rosas (1851/52) e contra o Paraguai (1865/70). Por todos esses feitos, Caxias foi o grande estadista do Império, inspirando, até hoje, nossos militares, que o fizeram Patrono do Exército Brasileiro.
“ É sempre bom lembrar que Caxias além de militar foi político, exercendo com brilho muitos mandatos de Senador pelo Rio de Janeiro.”
O movimento contou com adesões ilustres, como o caso de Teófli Otoni, que além de ter colocado seu joenal ao serviço da causa liberal, foi participar dos acontecimemtos, mesmo depois da derrota dos paulistas, em atitude que mostrou, mais uma vez, a dimensão de seu caráter. Outra personagem ilustre, muito imteressante, foi o Padre e Senador José Bento Ferreira Melo, nascido onde hoje é a cidade de Campanha, no sul de Minas. Foi o primeiro pároco de Pouso Alegre, que ajudou a tornar uma cidade bem planejada e orientada na época. Militante liberal, foi deputado em 1826, senador em 34, tendo se muito respeitado e enfluente, era homem discreto e morreu assassinado, por empregados, em Pouso Alegre. Foi autor do projeto maioridade aprovado – antes de Martin Francisco de Andrada havia propsto, mas sem êxito – e assumiu, depois, sua solidariedade ao movimento de 42.
Nesta época, depois de Ouro Preto, as cidades mais importantes da Província eram Barbacena e São João del-Rei.