REPORTAGENS ESPECIAIS
Tiradentes
 

História – Por ser a terra natal de Tiradentes – herói maior da Inconfidência Mineira e consagrado como o Protomártir da Independência – São José del-Rei ganhou o nome de Tiradentes num dos primeiros decretos da República, o de nº 3, de 6 de dezembro de 1889.
Povoado típico do Ciclo do Ouro da colonização das Minas Gerais, desde 1702 já há notícias das lavras descobertas por Tomé Portes del-Rei, segundo carta do sargento-mor José Matol para o Pe. Diogo Soares, citada por Herculano Veloso, em Memórias Sobre a Vila de São José del-Rei. Já Francisco de Assis Carvalho Franco, no Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil, como também Bento Fernandes de Mendonça, afirmam que o descobridor das lavras foi João de Siqueira Afonso. Seja como for, o fato é que o povoado surgido junto às lavras, ao despontar o século XVIII, cresce rapidamente e já em 1718, o Conde de Assumar, então governando as Minas Gerais, criou a “Vila de São José del-Rei no arraial de Santo Antônio, a que chamavam de arraial Velho”. Logo depois foram eleitos o capitão-mor Manuel Carvalho Botelho e o capitão Manuel Dias de Araújo como os primeiros juízes. Como vereadores: Domingos Ramalho de Brito, Constantino Alves de Azevedo e Manuel da Costa e Sousa e, como procurador, Gonçalo Gomes da Cruz. Criada também a freguesia, ganhou o grau de colativa pelo alvará de 16 de fevereiro de 1724.
Famosa como uma das Vilas de Ouro daquela época – o Ciclo do Ouro – o termo de São José del-Rei chegou a contar com cerca de 20 povoados, arraiais e freguesias, abrangendo desde os Campos das Vertentes até a Zona Metalúrgica adentro, indo também pelo oeste até as margens do rio São Francisco, onde hoje está Bom Despacho, com uma população avaliada, pelo censo de 1831, em 23.937, dos quais quase a metade de escravos. Só na sede havia 3.059 moradores, sendo 1.891 livres e 1.168 cativos.
Refletindo a opulência do Ciclo do Ouro, a igreja Matriz, construída em 1732, é até hoje um impressionante monumento de arte e riqueza, enfileirada entre as mais importantes do Estado, conforme Paulo Kruger Correia Mourão descreve pormenorizadamente à pág. 70 do seu Igrejas Setecentistas de Minas. Em 1776, é construída a igreja da Santíssima Trindade, também outro verdadeiro monumento da época colonial. Também o chafariz de Tiradentes e a casa do conjurado Pe. Toledo – hoje transformada em Museu de Arte Antiga Brasileira – constituem autênticas relíquias.
Em 1848, inexplicavelmente, foi suprimido o município criado ainda pelo Conde de Assumar em 1738, mas foi logo restabelecido pela lei nº 452, de 20 de setembro de 1849. Vários distritos, como o de Santa Rita (atual Ritápolis), São Tiago, Laje, Prados, Barroso, foram sendo criados e emancipados, restando hoje o de Santa Cruz de Minas.
CULTURA – Tiradentes conta com a Biblioteca Pública Municipal Tomás Antônio Gonzaga, de respeitável acervo de livros e documentos, e com as seguintes entidades culturais e preservacionistas: Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes, guardando um bem nutrido acervo de documentos, pinturas e fotografias; Sociedade Amigos de Tiradentes, desenvolve atividades de preservação do patrimônio histórico, cultural e natural, apoiando também as iniciativas nesse setor; Associação dos Artesãos de Tiradentes, possui loja e comercializa a arte dos seus sócios; Escola de Arte Celina Batalha, realiza cursos de dança, música, canto e ginástica; Sociedade Orquestra e Banda Ramalho, fundada ainda no século XIX, presente aos eventos culturais, religiosos e populares da cidade, especialista em obras dos compositores tiradentinos dos séculos XVIII, XIX e XX; Sociedade Corpo de Bombeiros Voluntários, dá proteção ao patrimônio histórico e natural, especializando-se no combate aos incêndios florestais, salvamentos e primeiros socorros.
Anualmente cumpre um longo calendário de festas religiosas e populares: 6 de janeiro, Folias de Reis e Pastorinhas, no Largo das Forras; 20 de janeiro, Folia de São Sebastião, com a participação de todos os grupos de folias do município, também no Largo das Forras; em janeiro, Mostra Nacional de Cinema, hoje das mais respeitadas do País; março/abril, Semana Santa, muito cultuada, com encenações ao vivo de quadros da Via-Sacra e muitas procissões; maio/junho, Jubileu da Santíssima Trindade, realizado desde 1776, atraindo romeiros de todo o Estado; Festa de São Francisco de Paula, com procissão levando a imagem do século XVIII e grande queima de fogos; Festa do Padroeiro Santo Antônio; em julho, realiza-se a grande promoção “Julho em Tiradentes”, com concertos, exposições de artes plásticas, cursos, palestras, serestas e exibição de grupos folclóricos, além das Festas Juninas tradicionais; também acontece a Exposição Agropecuária, com exibição de animais de raça, leilões, barraquinhas, muita música e bailes; agosto, Semana da Prevenção de Incêndios, com exibições práticas, palestras comemorativas do aniversário da Sociedade Corpo de Bombeiros Voluntários, e a festa de Santo Antônio do Canjica, além do Festival de Gastronomia, que pôs hoje Tiradentes no roteiro das cidades de melhor cozinha do Brasil; setembro, Dia da Pátria, com desfiles de escolares, banda de música e palestras cívicas; novembro, Semana do Meio Ambiente, com palestras envolvendo os meios estudantis e culturais.
Há também todo um calendário de festas cívicas: janeiro, aniversário da elevação a Vila, em 1718, com uma semana de comemorações; fevereiro/março, carnaval na Rua da Praia, com desfiles dos blocos Caveiras e Domésticas; abril, Semana da Inconfidência, com abertura no dia 17, quando o Fogo Simbólico é conduzido até Ouro Preto, participando os Clarins da Cavalaria de Belo Horizonte e com desfile do 9º Batalhão da PM, com grande festa de encerramento no Largo do Sol, quando desfila também o Regimento Tiradentes, 11º Batalhão de Infantaria de Montanha; maio, Semana do Campo, realização da Emater e Prefeitura; junho, Encontro Nacional de Harley Davidson e Carros Antigos, Largo das Forras; dezembro, a partir do dia 25, as Folias de Reis e Pastorinhas percorrem os presépios da cidade.
Monumentos: além dos belos casarões coloniais, há que destacar a Casa da Câmara, com sua imponente varanda e o curioso brasão da República gravado sobre o do Império e ainda o Chafariz Colonial, que abastecia de água potável a população, com a água jorrando até hoje de três carrancas; Casa do Padre Toledo, de belas linhas coloniais, com um Museu da Fundação Rodrigo Melo Franco de Andrade, de notável acervo de documentos e peças históricas; Casa da Cultura, abrigada numa construção do século XVII, com precioso acervo de documentos microfilmados do arquivo da Marinha e Ultramar de Portugal; Prédio da Prefeitura Municipal, com dois andares, sótão e duas fachadas com sacadas de ferro; Centro Cultural Ives Alves, com biblioteca, salas de multimeios e teatro.
Verdadeiros monumentos históricos são as igrejas, como a de Santo Antônio, construída em 1710, que tem um órgão trazido de Portugal e transportado em lombo de burro até Tiradentes. Foi pintado em 1789 por Manoel Vitor de Jesus e restaurado por técnicos alemães em 1978, sob o patrocínio da Fundação Rodrigo Melo Franco de Andrade, com recursos da Nuclebrás. No adro há o Relógio de Sol, de autoria de Santeiro e que é uma preciosidade. Na torre esquerda há um relógio que veio de Valongo, Portugal, e funciona desde 1788. Do cemitério da igreja foi feito um jardim por Burle Marx.
Há ainda as igrejas de Nossa Senhora do Rosário, toda de granito; a de N. Sra. das Mercês, de 1769, com a imagem da santa em tamanho natural e ambas com artísticas pinturas no teto; a de Bom Jesus, com a imagem de Jesus agonizante, olhos de vidro e rubis incrustados formando as gotas de sangue; a da Santíssima Trindade, de 1810, com a famosa imagem do Padre Eterno sentado num trono, e que sedia a romaria do Jubileu da Santíssima Trindade anualmente, com milhares de devotos vindos de vários pontos do Estado.
CARACTERIZAÇÃO – Localização: Região Metalúrgica e Campos das Vertentes. Área 83km2. Altitude máxima 1.362m (serra São José); mínima 894m (foz do rio Elvas). Temperatura média 20,7ºC. Índice médio pluviométrico 1.300mm. Relevo: topografia plana 5%, ondulada 15%, montanhosa 80%. Principais rios: rio Elvas e rio das Mortes (bacia do rio Grande).
TRANSPORTE – Principais rodovias: BR-265 e BR-040. Distância dos principais centros por rodovia (km): Belo Horizonte 225, Rio de Janeiro 335, São Paulo 485, Brasília 915, Vitória 610. Distância dos municípios limítrofes e/ou centralizadores de serviços públicos (km): São João del-Rei 13, Juiz de Fora 148, Barbacena 51, Conselheiro Lafaiete 119. Transporte ferroviário (distância em km): Belo Horizonte 416, Rio de Janeiro 450, São Paulo 603, Brasília 1.243, Vitória 1.126.