REPORTAGENS ESPECIAIS
São João del-rei
 

História – São João del-Rei foi assim denominada por Dom Brás Baltazar da Silveira, Governador das Minas Gerais, em visita ao arraial, em 8 de dezembro de 1713, conforme registra o Códice 6, Efemérides Mineiras, do Arquivo Público Mineiro – em homenagem a D. João V, Rei de Portugal “...por ser a primeira vila que nestas minas ele, dito Governador e capitão-general, levanta”.
Segundo se depreende de copiosa documentação e de ensaios históricos já publicados, o povoamento dessas paragens do rio das Mortes teve início por volta dos fins do século XVII e princípios do XVIII, pois que Tomé Pontes del-Rei já tinha, em 1702, um porto com serviço de canoa para atravessar o rio, no lugar onde hoje está a cidade de Tiradentes, que é vizinha muito próxima de São João del-Rei. Esse mesmo Tomé Pontes descobriu ouro de aluvião no rio em 1702, sendo logo depois assassinado num amotinamento de seus pajens e amas.
Do povoado que deu origem a São João del-Rei tem-se notícia já em 1704, com numerosa população de paulistas de Taubaté, Moji, Pindamonhangaba, Itu, Guaratinguetá, Santos, Iguape e outras cidades de onde partiam as expedições que adentravam as Minas Gerais no Ciclo do Ouro. Na Guerra dos Emboabas – o conflito mais sangrento da época colonial em Minas Gerais e que começou em Caeté, no ano de 1708 – o arraial de Nossa Senhora do Pilar, primeiro nome do povoado, tomou parte ativa. Por isso mesmo, foi seguidamente visitado pelos Governadores de São Paulo – Minas ainda não existia como capitania e era território sob a jurisdição daquela – D. Antônio de Albuquerque, em pleno conflito, D. Fernando Lencastre, ao abrandar a guerra em fins de 1709, e D. Brás Baltazar da Silveira em 1713, quando criou e instalou a Vila de São João del-Rei “na chapada do morro que fica da outra parte do córrego”, onde fez erguer o pelourinho, naquela época o símbolo do poder colonial e da organização municipal. Antes, 1711, o ainda arraial de Nossa Senhora do Pilar enviou importante expedição para ajudar na expulsão dos franceses do Rio de Janeiro. População rebelde por excelência, resistiu quanto pôde na Guerra dos Emboabas e até na mudança para a vila que D. Brás Baltasar instalara. Foi necessário um édito, lançado ao som dos tambores, a 15 de abril de 1714, para que a população, forçada sob pesadas penalidades – “os que não obedecerem serão castigados ao arbítrio de S. Exª” – se transferisse para onde fora erguido o pelourinho. Também foi de São João del-Rei que partiu o brado contra o desvirtuamento e menoscabo da data de 21 de abril, quando lá se comemorou o Dia de Tiradentes pela primeira vez no Brasil.
Impulsionada pelo Ciclo do Ouro, a Vila que D. Brás Baltasar criara e instalara em 1713 prosperou rapidamente, mercê também das terras fertilíssimas que notabilizaram o vale do rio das Mortes e seus afluentes.
Fazendas e fábricas de escravos surgiram por todos aqueles sertões, que ficaram conhecidos como celeiro das minas, que eram tantas e tão gerais, que Minas Gerais ficou sendo seu nome.
Hoje, São João del-Rei é um dos principais pólos dos Campos das Vertentes e da boca do Oeste Mineiro e é também conhecida no Brasil inteiro por ser a terra do presidente Tancredo Neves.
CULTURA – São João tem uma das mais antigas bibliotecas públicas do Estado, fundada em 1827 por Baptista Caetano e mantida com seu nome, acervo de 18 mil volumes, com obras raras nacionais e estrangeiras, guardando também o Arquivo da cidade. Realiza a Semana do Livro, a fim de despertar o interesse pela leitura e o cuidado no uso dos livros. Há ainda as bibliotecas da FUNREI, do ensino superior da cidade; da Fundação Tancredo Neves; do Conservatório Estadual Pe. José Maria Xavier; da Sociedade de Concertos Sinfônicos.
Além do Museu Regional, fundado por Rodrigo Melo Franco de Andrade, conta com o Museu Municipal Tomé Portes del-Rei; Museu Ferroviário; Museu do Ex-Combatente, com peças históricas da Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra Mundial; Museu de Arte Sacra; Museu do Estanho John Sommer; Memorial Presidente Tancredo Neves.
De tradição colonial, a cidade conta com vários cruzeiros: o do Pau d’Angá; o das Mercês; o de Entre-Casas; o do Senhor dos Montes e o do padre Faustino.
Há toda uma tradição teatral que vem desde 1783, com a Casa da Ópera, a primeira da América. Depois, em 1843, a Sociedade Empresária de Teatro São João del-Rei; em 1885, os Discípulos de Talma e os Filhos de Melpômene. Atualmente conta com o Teatro Municipal, construído em 1893, tendo passado por várias remodelações, onde se realizam concertos, representações teatrais, festivais lítero-musicais e importantes atos sociais.
Dentre as festas religiosas: a da Padroeira N. S. do Pilar, outubro, na Basílica de N. S. do Pilar, participando a Orquestra Lyra Sanjoanense; a de N. S. das Mercês, setembro, na igreja respectiva e com a Orquestra Lyra Sanjoanense; na igreja de N. S. do Carmo, a da mesma santa, com a Orquestra Ribeiro Bastos, em julho; a de N. S. da Boa Morte, em agosto, na Basílica do Pilar, com a Orquestra Lyra Sanjoanense; a Semana Santa de rito antigo é realizada na Basílica do Pilar, com a orquestra Ribeiro Bastos.
Merece especial destaque a Semana da Inconfidência, quando o Fogo Simbólico parte da cidade de Tiradentes, pernoita em São João del-Rei e segue para Ouro Preto, levado por atletas locais e estaduais. No dia 21 de abril são solenes as comemorações do Dia de Tiradentes e do Presidente Tancredo Neves, falecido na mesma data, com cultos religiosos, desfiles, atos cívicos e eventos populares.
Está cada vez mais desenvolvida a atividade turística, com São João del-Rei incluindo-se no roteiro do turismo histórico e cultural, oferecendo as seguintes atrações: alto do Cristo Redentor; alto do Bonfim, onde está a capela mais antiga; Casa de Pedra; gruta do Irabuçu, de impressionantes salões rendilhados, estalactites e estalagmites; Balneário das Águas Santas, com piscinas e duchas; Tiradentes, a 12 km, cidade histórica de casarões e igrejas coloniais; casarões e igrejas da cidade.
Desde os tempos coloniais são famosos os jornais de São João del-Rei. Hoje, estão em circulação: Notícias Vale do Lenheiro, Jornal do Povão, Amanhecer, Bom Dia, Del-Rei, Progresso, Aliança, Liberdade, Jornal do Poste, e Tribuna Sanjoanense, Gazeta Sanjoanense.
Além das numerosas igrejas já citadas, existem várias capelas, templos evangélicos, tendas espíritas e terreiros de umbanda.
Para a juventude o Festival de Inverno, que funciona em julho, é atração de turismo; e ainda oficinas artísticas e espetáculos.
CARACTERIZAÇÃO – Localização: Região Metalúrgica e Campos das Vertentes. Área 1.467km2. Altitude máxima 1.338m (morro do Chapéu); mínima 912m (foz do córrego do Mané-Rosa). Temperatura média 20,7ºC. Índice médio pluviométrico 1.500mm. Relevo: topografia plana 8%, ondulada 22%, montanhosa 70%. Principais rios: rio Elvas, rio das Mortes e represa de Camargos (bacia do rio Grande).
TRANSPORTE – Principais rodovias: BR-265, BR-383, MG-6, MG-60 e MG-23. Distância dos principais centros por rodovia (km): Belo Horizonte 180, Rio de Janeiro 330, São Paulo 480, Brasília 930, Vitória 585. Distância dos municípios limítrofes e/ou centralizadores de serviços públicos (km): Juiz de Fora 149, Barbacena 52, Conselheiro Lafaiete 109. Transporte ferroviário (distância em km): Belo Horizonte 404, Rio de Janeiro 462, São Paulo 745, Brasília 1.231, Vitória 1.001. Aéreo: Aeroporto privado (Prefeitura Municipal) com pista de asfalto, medindo 1.140 x 30 metros.