ENERGIA
 

A maior e mais importante contribuição ao setor elétrico brasileiro vem de Minas Gerais, de seus rios, de seus técnicos, de seus grandes estadistas. Não só a primeira usina hidrelétrica do País, inaugurada ainda por D. Pedro II, em Juiz de Fora, próxima à fronteira com o Estado do Rio, no Paraibuna, como a maior usina do mundo, a binacional Itaipu, que teve do mineiro Mário Bhering, presidente da Eletrobrás por duas vezes, fundador da Cemig e seu presidente, uma participação das mais importantes.
Quando JK lançou seu Plano de Metas, em que a energia era um dos destaques, foi idealizada Furnas, que deu início à grande usina no Rio Grande, assim como Três Marias, da Cemig. Lucas Lopes, um dos autores do plano, foi presidente da Cemig, assim como João Camilo Pena, que veio a ser o ministro da Indústria e do Comércio e que fez o Programa Nacional do Álcool, no governo do presidente João Figueiredo e depois presidiu Furnas. Outros presidentes: Celso Azevedo, Guy Vilella, assim como os deputados Geraldo Santana, Aloísio Vasconcellos – que presidiu a Sociedade Mineira de Engenheiros –, Carlos Eloy, Djalma Morais – que foi ministro das Comunicações, vice-presidente executivo da Petrobrás Distribuidora e presidente da Telemig, Fabiano Cossich, engenheiro de carreira na empresa. Mas como em Minas acontecem fatos surpreendentes, um dos grandes dirigentes da empresa nos seus primórdios foi um médico, Júlio Soares, cunhado de JK. Foi quem mais apoiou o grupo de técnicos que montavam a empresa, entre os quais John Cotrim.
A Escola de Itajubá formou alguns dos maiores nomes do setor, junto com outras faculdades mineiras, como a de Ouro Preto. José Carvalho Marcondes de Brito, por exemplo, mineiro de Brasópolis, foi diretor da Eletrobrás por dezesseis anos, presidente da Light no Rio.

Mário Bhering ao assinar a criaão de Itaipu

O melhor da equipe dirigente de Furnas: Luís Laércio, Dimas Fabiano Toledo, Celso Ferreira, Ronaldo Fabrício, Luís Cláudio de Almeida Magalhães, Licínio Seabra – que também presidiu a Cemig. Luiz Carlos Santos, político em São Paulo, mas nascido e criado em Minas e que foi hábil em salvar Furnas de uma privatização precipitada no ano 2000, teve formação em Minas, seja Itajubá, Belo Horizonte, Juiz de Fora ou Ouro Preto.
Merece destaque especial como expoente do setor Eliseu Resende, presidente de Furnas e da Eletrobrás, que formulou o modelo do setor elétrico, e, depois, já como deputado federal, presidiu a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. Eliseu pode ser comparado a Israel Pinheiro – de quem foi diretor do DER – nos altos serviços prestados ao Estado e ao país. Como diretor-geral do DNER e como ministro dos Transportes, no Governo João Figueiredo, construiu milhares de quilômetros de estradas de alta qualidade, inclusive em Minas, sendo exemplo maior a nova Rio-Juiz de Fora, depois privatizada. Foi candidato ao governo do Estado em 82 e perdeu para Tancredo Neves por pequena margem. Foi ministro da Fazenda de Itamar Franco e consta que a concepção do Plano Real, que estabilizou a economia brasileira, com avanço social e sucesso eleitoral, foi de sua autoria. Simples, discreto, nunca admitiu ou assumiu esta autoria. Seu filho, José Alexandre, executivo público com passagem por importantes cargos, como diretor das Docas do Rio e presidente da Rede Ferroviária Federal, foi diretor da Eletrobrás.

Itamar Franco prestigiando a CEMIG

A Eletrobrás contou ainda com diretores mineiros que marcaram sua passagem pela grande empresa, como Carlos Alberto Pádua Amarante, Norberto Medeiros, Marcos José Marques, Luis Aníbal Lima Fernandes, Mauro Campos – que foi Constituinte em 88 e depois diretor da Petrobrás, Gamaliel Herval, entre outros.
Nesse grupo, outra figura marcante é a de Aureliano Chaves, professor em Itajubá, diretor da Eletrobrás, presidente da Comissão Nacional de Energia quando vice-Presidente da República – João Figueiredo – e ministro das Minas e Energia com José Sarney. Apoiou Itamar na questão da Cemig. Foi deputado estadual, federal e governador do Estado.
O grande ministro de Castelo Branco na Pasta foi Mauro Thibau, nascido no Rio, mas de vida e carreira em Minas.
No Governo Itamar Franco, foi ministro Paulino Cícero de Vasconcelos, deputado federal por várias legislaturas, desde antes de 64, e que voltou como secretário de Minas e Energia no governo de Itamar em Minas.
Francisco Noronha presidiu a Cemig e participou da equipe de John Cotrim, que, nascido na Inglaterra, se fez mineiro pela carreira e pelos amigos. Cotrim foi fundador da Cemig, fundador e presidente de Furnas e formulador do Programa de Eletrificação de Minas Gerais, com Lucas Lopes.
Joel Mendes Rennó, formado em Itajubá, acabou fazendo carreira no setor da mineração e do petróleo, sendo, com o ministro e governador da Bahia, general Juraci Magalhães, um dos dois brasileiros que tiveram a oportunidade e a honra de presidir as maiores empresas do País, a Vale do Rio Doce e a Petrobrás; nesta última foi também o que mais tempo permaneceu no cargo, passando do governo de Itamar para a primeira metade do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso.
Em termos de setor elétrico, a atração mineira é tão forte, que outro notável que presidiu a Eletrobrás, foi secretário de Estado no Rio e presidiu a CERJ, José Luiz Alqueres, fluminense de Petrópolis, “adotou” Tiradentes, onde inclusive passou a dirigir um centro cultural.
Túlio Romano Cordeiro de Melo, diretor e presidente da Light, mineiro pelo casamento com uma sobrinha de Tancredo, Teo, filha de Antônio de Almeida Neves, que fez carreira como alto dirigente na mesma Light, no tempo dos canadenses.
A Companhia Cataguases-Leopoldina, que atende a municípios da Zona da Mata, foi, durante muito tempo, a maior distribuidora privada de energia do Brasil, sempre sob o controle da família Junqueira. Ormeu Junqueira Botelho foi deputado federal e seu filho, Ivan Muller Botelho, ao assumir o comando da empresa, expandiu-a em outros setores e, depois, com a abertura do mercado, com sócios estrangeiros, passou a controlar outras distribuidoras importantes, como as dos Estados da Paraíba e Sergipe, além da Companhia de Nova Friburgo, no Estado do Rio. Maurício, seu filho, já assumiu como executivo do grupo.
Atrás de todas as grandes obras do setor elétrico brasileiro também está presente a competência empresarial e empreendedora dos mineiros, em empresas do porte da Andrade Gutierrez e da Mendes Júnior, participantes do consórcio que construiu Itaipu. Minas possui bom parque de indústrias eletroeletrônicas, algumas concorrendo em pé de igualdade em tecnologia com multinacionais, como são os casos da Nansen, de medidores e outros produtos de uso na distribuição e geração de energia, da Orteng e outras.
Uma curiosidade é que a Cemig sempre teve um diretor jurídico, sobressaindo-se como tal nomes ilustres como os de João Franzen de Lima, Walter Álvares, José Paiva, Maurício Chagas Bicalho – também grande economista –, Geraldo Freire, parlamentar de projeção nacional, que foi presidente da Câmara dos Deputados, Manoel Taveira, deputado federal que presidiu a Arena em Minas, e José Coriolano Beraldo, de família de políticos de Pouso Alegre, casado com Beatriz, filha de Bilac Pinto.
A presença de Minas na história de realizações do setor elétrico brasileiro é certamente a mais relevante entre todas as demais unidades da federação.