O CULTO A NOSSA SENHORA
 

A profunda religiosidade dos mineiros, desde a época do povoamento até os dias atuais, se reflete no culto a Nossa Senhora. A fé na santa é tamanha que, por todo o estado de Minas Gerais, se encontram vestígios das suas aparições e homenagens prestadas a Ela, através de nomes de municípios e distritos. A seguir, alguns exemplos.

Nossa Senhora do Pilar
Extraordinariamente difundida na Espanha, a padroeira dessa nação nunca foi muito popular em Portugal. Mesmo assim, no Brasil, o culto a essa santa ganhou grandes proporções. A imagem da Nossa Senhora de Pilar de São João del-Rei, por exemplo, é reconhecida como obra do Século XII. Só foi coroada em 1954, entre grandes festas, pelo marianense Dom Helvécio Gomes de Oliveira, que é a grande referência da Minas católica no Século XX.
A Igreja Matriz do Pilar do Ouro Preto, entretanto, é citada como “a primeira e mais antiga”, no parecer do procurador da Fazenda, José Rosa Dias Maciel, em 1783. Sua imagem deve ter vindo de São Paulo na bandeira de Bartolomeu Bueno, pois tem modelo de escultura castelhana do Século XVII.
No convento das Carmelitas da Bahia, de onde se transferiu para igreja própria, a veneração à imagem da Senhora do Pilar começou em 1690.
N.S. do Pilar foi distrito do município de Patos de Minas, com sede na povoação de Pilar, mas, ao que parece, não chegou a ser instalado.

Nossa Senhora da Conceição

A Igreja grega invocava a Virgem Maria chamando-a de panachrante, isto é, toda pura, sem mancha e sem pecado. No entanto, a certa altura, alguns críticos passaram a negar tal perfeição a Maria. Mas, depois de várias discussões sobre o tema, o Papa Pio IX concluiu: “Pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e pela nossa, declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que ensina que a bem-aventurada Virgem Maria foi, no primeiro momento de sua Conceição, por uma graça e privilégio singular de Deus todo-poderoso e em razão dos merecimentos de Jesus Cristo Salvador do gênero humano, preservada intacta de toda mancha do pecado original, é revelada por Deus e, por conseqüência, deve ser acreditada firme e constantemente por todos os fiéis”.
É muito significativa para a história da vida religiosa do Brasil, em seu período de formação e povoamento, a origem das invocações de Nossa Senhora, porque ela mostra o intenso trabalho dos franciscanos e jesuítas na transformação de aventureiros em populações estáveis. Como em seus primeiros anos de formação, Minas continuou a prestar à Imaculada Conceição de Maria os tributos que lhe devia o seu povo pela proteção e transformação de suas almas.
Vê-se que Minas Gerais é, no Brasil, por excelência, a terra de Nossa Senhora da Conceição, até os dias atuais. Só para exemplificar, temos as localidades e os municípios de:

Nossa Senhora da Conceição - Mariana (Reprodução de em "A Capitania das Minas Gerais").


Conceição da Aparecida
• Conceição da Barra (Município de Cassiterita)
• Conceição da Brejaúda (Município de Divisa Nova)
• Conceição de Ibitipoca
• Conceição da Paraíba
• Conceição da Pedra
• Conceição da Poaia (Município de Poaia)
• Conceição do Serra (Município de Amparo do Serra)
• Conceição da Vargem
• Conceição da Volta Grande (Município de Careaçu)
• Conceição das Alagoas
• Conceição de Ipanema
• Conceição de Itaguá
• Conceição de Minas
• Conceição de Piracicaba
• Conceição de Tronqueiras
• Conceição do Barreiro (Município de Francisco Dumont)
• Conceição do Casca
• Conceição do Formoso
• Conceição do Mato Dentro
• Conceição do Pará (antigo distrito do município de Bonfim)
• Conceição do Piranga (ou Piranguita, distritodo Município de Rio Espera)
• Conceição do Pompéu (distrito de Mestre Caetano, Município de Sabará)
• Conceição do Rio Acima
• Conceição do Rio Novo (Município de Rio Novo)
• Conceição do Ijaci (Município de Ijaci)
• Conceição do Rio Pardo (Município de Rio Pardo de Minas)
• Conceição do Rio Verde
• Conceição do Serro
• Conceição do Turvo
• Conceição do Varadouro
• Conceição dos Ouros
• Conceição de Tronqueiras
• Nossa Senhora da Conceição da Barra
• Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista (Município de Conceição da Boa Vista)
• Nossa Senhora da Conceição da Casca;
• Nossa Senhora da Conceição da Extrema
(Município de Cristália);
• Nossa Senhora da Conceição da Fidelidade do Casca (Município de Rio Casca)
• Nossa Senhora da Conceição da Ponte Alta (Município de Monsenhor Paulo)
• Nossa Senhora da Conceição das Carrancas
• Nossa Senhora da Conceição de Água Suja (cidade de Berilo)
• Nossa Senhora da Conceição de Jaboticabas
• Nossa Senhora da Conceição de Matias Barbosa
• Nossa Senhora da Conceição de Volta Grande
• Nossa Senhora da Conceição do Amparo do Serra
• Nossa Senhora da Conceição do Areado (Distrito de Patos de Minas)
• Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão (Município de Itaboca)
• Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre dos Carijós (Município de Conselheiro Lafaiete)
• Nossa Senhora da Conceição do Capão Redondo (Município de Santa Fé de Minas)
• Nossa Senhora da Conceição do Formoso
• Nossa Senhora da Conceição do Jatobá (Município de Porteirinha)
• Nossa Senhora da Conceição do Jequitaí
• Nossa Senhora da Conceição do Laranjal
• Nossa Senhora da Conceição do Manjaléguas
• Nossa Senhora da Conceição do Piranga
•Nossa Senhora da Conceição do Rio das Pedras (Município de Acuruí)
• Nossa Senhora da Conceição do Rio Grande (Município de Carrancas)
• Nossa Senhora da Conceição do Rio Manso (Distrito de Diamantina)
• Nossa Senhora da Conceição do Rio Verde
• Nossa Senhora da Conceição do Sucuriú (Município de Francisco Badaró)
• Nossa Senhora da Conceição dos Morrinhos
• Nossa Senhora da Conceição dos Ouros
• Nossa Senhora da Conceição dos Prados
• Nossa Senhora da Conceição dos Tombos.

Órgão de Mariana, Minas

Nossa Senhora do Rosário

São Domingos, para perpetuar o esforço missionário, que começara com tão férteis resultados, fundou uma ordem, a dos irmãos pregadores ou Dominicanos, para, junto de São Francisco de Assis, propagarem a devoção do Rosário de Nossa Senhora por diversos países da Europa.
A mais bela igreja de Minas, talvez, seja a do Rosário de Ouro Preto, construída pela Confraria de Nossa Senhora do Rosário, com altar na primitiva matriz de Nossa Senhora do Pilar e que logo se transferiu para sua própria casa de taipa, numa encosta do Caquende de Ouro Preto — caquende foi a expressão cunhada para designar o mercado de escravos e víveres.
A Irmandade do Rosário de Ouro Preto data de 1711. Nove anos depois já tinha ermida no local onde se encontra a bela igreja dessa invocação. Essa irmandade foi rica e prestou assistência aos negros em Minas. A devoção dos pretos por Nossa Senhora do Rosário é uma das coisas mais tocantes de nossa história. Eles levavam o rosário ao pescoço e, após os terríveis trabalhos do dia, reuniam-se em torno de um “tirador de reza”. Ouvia-se, então, no interior das senzalas, o sussurrar das preces dos cativos. Nas fazendas de trato da terra e nas de mineração, quando começava a escurecer, todos eram convocados para rezar a Ave-Maria. Da mesma forma acontecia nos quartéis e estalagens, onde havia sempre alguém que tomava a iniciativa da oração. Nossa Senhora do Rosário é padroeira de inúmeras cidades mineiras, como Rio Acima, Martinho Campos, Pimenta, Santa Maria de Itabira, Ubá e Itabira.

Nossa Senhora do Carmo
A invocação de Nossa Senhora do Carmo está incluída entre as quatro lendas cristãs da igreja primitiva. Foi anunciada, muitos séculos antes da vinda de Cristo, como aquela que seria a Mãe do salvador dos homens.
O quarto templo que teve Nossa Senhora foi fundado pelo profeta Elias. Podemos, com muito fundamento, crer que lhe foi revelada a encarnação do Divino Verbo e o nome Santíssimo de Maria, sua Mãe. Estas revelações lhe foram feitas no Monte Carmelo, quando orava e lhe pedia que fertilizasse a terra e matasse a sede dos viventes, mandando sete vezes o moço que o assistia que fosse ver se da parte do mar subia uma nuvem pequena, como a pegada de um homem. É que muitos escriturários entendem ser aquela a sétima vez, pela sétima idade do mundo, em que a Virgem Senhora viria dar ao mundo aquela misericordiosa chuva do Céu. E muitos dizem que a Elias não só foi revelado o nome de Maria, mas que esse, no mesmo Monte Carmelo, edificara uma ermida à Senhora.
A ordem do Carmo foi sendo introduzida em vários países e, da Espanha, logo passou a Portugal, onde foram numerosos os conventos de Carmelitas descalços e calçados, em que já se subdividia a ordem. A ela pertenceram reis e rainhas de Portugal.
Não tivemos esses conventos em Minas, mas muitas Ordens Terceiras de Nossa Senhora do Monte do Carmo. “Foi no tumulto das aventuras do ouro que nasceu o culto pela Virgem do Carmelo que, em seu trono erguido no alvorecer das Minas Gerais, contempla o povo mineiro através das gerações que passam”, afirmou Augusto de Lima Jr, no livro História de Nossa Senhora em Minas Gerais.

Nossa Senhora das Mercês
A devoção de Nossa Senhora, com o título de Mercês, começou na Espanha desde muitos séculos, e o primeiro altar português foi em Merceana, no Conselho de Alenquer, Província da Extremadura. Seu nome em espanhol é Mercedes e é muito propagado pelos frades da congregação da Santíssima Trindade. Ganhou terreno porque foi designada padroeira dos que ficavam cativos dos mouros na África, para onde eram levados marinheiros cristãos e mercadores que caíam em poder dos piratas do Mediterrâneo. De Santarém, onde se desenvolveu o popular culto da Senhora, logo passou a Lisboa. Lá, além das imagens do Convento de Trino, formou-se uma paróquia da Senhora das Mercês.
Os frades da Congregação da Santíssima Trindade e Redenção dos Cativos foram, sem dúvida, os disseminadores, pelo Brasil, da invocação de Nossa Senhora das Mercês. Entretanto, foi na nova capitania de Minas que começaram a florescer as confrarias de Nossa Senhora das Mercês. Os negros cativos eram os mais gratos e fervorosos, depositando na santa suas esperanças de liberdade.
Enquanto as Irmandades do Rosário se entregavam mais ao culto consolador de sua padroeira, as irmandades de Nossa Senhora das Mercês ganharam logo uma feição de utilidade, de assistência e proteção. Nas vilas do ouro, muito se desenvolveu o culto da Senhora das Mercês, lhe tendo sido erguidas várias capelas na Vila de Sabará, São João del-Rei, Vila Rica, Ribeirão do Carmo, Serro do Frio e Pitangui, além das ermidas em quase todos os lugarejos de extração do ouro.
O culto de Nossa Senhora das Mercês tem a sua festa anual no dia 8 de setembro. As capelas dobram os sinos e suas portas se abrem para preces por todos que se foram deste mundo. Desde a Mercês do Pomba, na estrada que ligava Ouro Preto ao Rio, são muitas as localidades mineiras com esse nome, dentre as quais Mercês da Água Limpa, Mercês de Diamantina, Mercês do Araçuaí e Mercês do Pomba.

Nossa Senhora das Dores

N. Sra. das Dores (Ticiano) - Museu do Prado

Frei Agostinho de Santa Maria escreve que “ainda que todos os mistérios que celebra a piedade cristã de Maria Santíssima se devem ter mui presente para a veneração e para contemplação, o pranto e as lágrimas que Nossa Senhora chorou na morte de seu amado filho, devemos fixar na nossa memória e estampar na nossa imaginação”.
Desde remotos tempos, muitos devotos se dirigiram às dores de Maria, criando-se imagens históricas do seu sofrimento. Mas foi somente no começo do Século XVIII que a invocação de “Dores” começou a ter culto singular, coisa até então muito rara.
Em 1775, foi realizada a primeira Procissão das Dores, em Vila Rica, e logo a do Senhor Morto, que o povo denominou de “Enterro”, espalhando-se o uso dessas cerimônias por toda a Capitania. A Irmandade de Senhor dos Passos foi criada, em 1774, pelo pároco João de Oliveira Magalhães, que deu altar à primeira imagem que chegou a Vila Rica na própria Matriz de Antônio Dias.
Nossa Senhora das Dores tem presença em distritos ou paróquias por toda Minas, tais como Dores da Boa Esperança, Dores da Pedra Menina, Dores da Ponte Alta, Dores da Vitória, Dores de Campos, Dores de Guanhães, Dores de Guaxupé, Dores de Monte Alegre, Dores de Santa Juliana, Dores do Areado, Dores do Aterrado, Dores do Campo Formoso, Dores do Indaiá. O nome “Maria das Dores” é, ainda hoje, muito comum nas famílias mineiras.
Nossa Senhora das Dores é padroeira de Abaeté, Guaxupé, Januária, Bias Fortes, Dorezopoles e Alfenas, além de Dores do Indaiá.

Nossa Senhora da Assunção ou da Glória
Para agradecer à Senhora os benefícios e salvação de Portugal em momentos de tantos perigos, Dom João I determinou que todas as catedrais do Reino fossem consagradas a Nossa Senhora da Assunção da Glória. Mariana, a ilustre Primaz de Minas Gerais, berço das igrejas de nossa terra, tem na assunção de Nossa Senhora o seu trono mais elevado. Essa primazia da tradição de um culto a Nossa Senhora da Assunção da Glória fez com que a maior parte das diversas invocações de Nossa Senhora tenham as suas festas em 15 de agosto, quando, ao festejar a Rainha Santíssima Virgem Maria, festejam também, sem o saber hoje, a criação da pátria.

Nossa Senhora Mãe dos Homens
A invocação de Nossa Senhora Mãe dos Homens foi introduzida por um frade franciscano, do Convento de São Francisco das Chagas, em Xabregas, bairro de Lisboa. Sempre que tinha tempo, saía do convento, com o crucifixo nas mãos, e visitava todas as tavernas, para pregar contra os vícios. Levava os freqüentadores desses lugares para a rua e começava a rezar com eles, dizendo-lhes que Maria Santíssima era mãe dos homens e que todos deveriam voltar-se para ela na hora das aflições.
João de Xabregas não tinha ainda uma imagem na qual juntasse os devotos que ia conquistando. Para conseguir uma imagem da invocação que pregava, procurou, então, o escultor José de Almeida, conhecido como Romano, por ter estado longos anos em Roma. Frei João pregou seu primeiro sermão na igreja da paroquial da Encarnação. Concluiu-o com o crucifixo na mão, junto ao qual fixara a pequena imagem da Senhora, e pediu orações aos fiéis. Por fim, ensinou os ouvintes a pedirem a bênção a Nossa Senhora Mãe dos Homens. No Brasil, no interior do oeste de Minas, José Policarpo de Azevedo fundou o famoso Santuário da Nossa Senhora Mãe dos Homens. O centro do Rio de Janeiro também abriga uma das mais antigas igrejas dedicadas à Mãe dos Homens.

Nossa Senhora da Lapa
Por causa das perseguições que sofriam, os cristãos fabricavam as imagens em pequeno vulto, para que pudessem ser ocultadas às profanações que eram comuns naqueles tempos difíceis. Assim, esconderam uma pequena imagem da Virgem Maria, que recebia as homenagens no Convento das Religiosas, destruído pelo rei Almansor. Em 1498, Joana, uma menina muda, entrou numa gruta para abrigar-se do sol, encontrou a pequena imagem, escondida por ocasião da fuga dos cristãos diante dos árabes, e, tomando-a por uma simples boneca, meteu-a na pequena cesta onde carregava os alimentos de que se servia quando andava no campo. A “estatuazinha” passou a ser uma obsessão para a menina, de tal modo que sua mãe se irritou e resolveu tomar providências. Lançou a pequena imagem ao fogo. Mas a menina conseguiu salvar o objeto das chamas.
A mãe acabou por reconhecer, na boneca, a imagem de Nossa Senhora. Junto com a filha, foi visitar a lapa em que a pastorinha havia encontrado o objeto. Ali ergueram o altar em que depositaram a estátua, que logo ganhou o nome de Nossa Senhora da Lapa.

Nossa Senhora da Boa Viagem
A devoção a essa santa tem início com os portugueses que se lançavam em viagens marítimas em busca de fortuna em outras terras. Durante suas aventuras, depositavam na Mãe Santíssima a esperança de encontrar a paz eterna no reino celestial, no caso de ser inevitável a morte nas águas.
Francisco Homem del-Rei construiu uma pequena ermida de Nossa Senhora da Boa Viagem, que cresceu e se transformou num belo templo. Mais tarde, infelizmente, tudo foi demolido e suas imagens distribuídas – e hoje o paradeiro das peças é totalmente desconhecido.
O antigo Curral del-Rei, hoje Belo Horizonte, tem como padroeira a Senhora da Boa Viagem, denominação de sua principal igreja.

Nossa Senhora da Piedade
Nossa Senhora da Piedade é aquela que, recebendo o divino filho em seus braços, depois de sua morte trágica, o levou, com os fiéis discípulos, até o sepulcro.
A devoção à Senhora da Piedade ganhou, em Portugal e no Brasil, uma grande extensão. Muitos foram os arraiais fundados em torno de ermidas da Senhora da Piedade. Apesar de a invocação ter sido dada em largos trechos do território mineiro, parece que a devoção veio com os paulistas, pois esses acreditavam que Nossa Senhora da Piedade era o último pouso civilizado diante do qual podiam os aventureiros orar, antes de mergulhar no deserto selvagem dos descobrimentos de ouro nas Gerais.

Nossa Senhora do Bom Sucesso
A invocação da Senhora com a denominação de Bom Sucesso aparece em Minas na primeira fase bandeirante, quando os paulistas começaram a faiscar o ouro da região.
O padre João de Faria Fialho, citado por frei Agostinho, organizou uma bandeira por conta própria e, após descobrir as ricas jazidas de ouro ao pé da Serra do Itacolomi, que ganharam seu nome, construiu uma ermida à Senhora do Bom Sucesso em seu arraial. Mais tarde, essa foi transferida para o lugar onde hoje se encontra a capela do padre Faria e a ermida recebeu outro nome, sendo dedicada à Senhora do Rosário.
O culto a Nossa Senhora do Bom Sucesso é indicado àqueles que desejam obter sucesso nos negócios. É a padroeira da cidade de Caeté.

Nossa Senhora de Nazaré
Alguns anos depois da morte de Constantino, o Grande, ou seja, no começo do Século IV, a comunidade cristã foi vítima de perseguições dos pagãos e dos hereges que circulavam na própria Igreja. Um exemplo dessa perseguição foi o ataque contra um mosteiro de monges gregos que existia em Nazaré, na Palestina, que se dedicava a cultuar a Virgem Santíssima, junto ao berço do Redentor. Em meio à confusão que se estabeleceu durante a invasão, um monge chamado Ciríaco conseguiu retirar a pequena imagem de Nossa Senhora, fugindo com ela para São Jerônimo, de onde a mandou de presente a Santo Agostinho, bispo de Hipona, na África. Mais tarde, a imagem seria levada para o mosteiro de Cauliana. Conhecida a peregrinação que havia feito a pequena imagem, pela sua origem foi-lhe dado o nome de Senhora de Nazaré.
No Brasil, a devoção se espalhou da Amazônia até os confins do interior. Padroeira do Grão Pará, a Senhora de Nazaré tem em Belém, que nasceu como “Terra Santa Maria”, um dos mais belos templos do Brasil. Mas também encontramos igrejas dedicadas à santa na Bahia e nas nossas Minas Gerais, onde, além das matrizes de Cachoeira do Campo e de Morro Vermelho, Nossa Senhora de Nazaré tem altares em várias capelas e ermidas, próximas de Mariana e de Nazaré, no Rio das Mortes.

Nossa Senhora das Brotas
Quase toda a região do Paraopeba, em Minas Gerais, se entregou à devoção a Nossa Senhora das Brotas, cujo altar principal se encontra na matriz do antigo Arraial de Brumado do Suaçuí, hoje Entre Rios de Minas. Frei Agostinho declarou: “Escrevemos os princípios e origem da miraculosa imagem de Nossa Senhora das Brotas ou Abróteas, erva muito medicinal de que se vê povoado e coberto o sítio em que se deu princípio ao seu célebre Santuário. Assim como esta erva medicinal que tem muitas particularidades e virtudes, Maria Santíssima não despreza este título porque ela é a medicina universal em todos os nossos males. O verdadeiro antídoto de todos os venenos”.
A devoção a Nossa Senhora das Brotas, padroeira dos criadores de gado e fazendeiros, se faz geralmente diante de imagens de Nossa Senhora da Assunção, já que o modelo da Vila das Águias dá o nome da invocação, mas não tem cópias, salvo em gravuras dos Séculos XVII e XVIII. Em Minas, sua representação se dá por uma imagem da Conceição.
Deve ter sido trazida ao Brasil por soldados, pois a região onde tem seu templo tradicional está situada na província, geralmente habitada por praças fortes, defensoras das fronteiras de Portugal com Castela e onde se deram várias batalhas.

Nossa Senhora da Penha
Em 1434, o francês Simão Vella, morador nos Pirineus, sonhou que no alto da Serra estava a imagem de Nossa Senhora, cercada de luz, acenando como se mandasse que fossem à sua procura. Partiu em busca de seu sonho e, depois de muito caminhar sem resultado, deparou com a desejada imagem no alto de uma serra, na proximidade de Salamanca. Levou-a para o Convento dos Dominicanos, onde logo lhe deram altar e culto. E foi junto dessa imagem da Santíssima Virgem que o piedoso Simão Vella morreu.
Já em 1709, um capitão da frota da Índia, Luís de Figueiredo Monterroio, sofrendo grave acidente em seu navio que ia em direção ao ouro de Minas Gerais, foi com seus tripulantes até a pequena ermida de Irajá agradecer sua salvação a Nossa Senhora da Penha. Prometeu construir-lhe uma capela logo que chegasse às minas de ouro. E assim o fez: ergueu uma bela ermida de Nossa Senhora da Penha de Caeté, que deu nome à localidade, mandando vir de Portugal a imagem de dois palmos que lá se venera.
O antigo Arraial da Lage, hoje cidade de Resende Costa, e Itamarandiba, no Norte de Minas, são da invocação da Senhora da Penha.

Nossa Senhora do Bom Despacho
A invocação de Nossa Senhora do Bom Despacho é muito antiga em terras de Portugal. Sua devoção chegou ao Brasil através dos frades agostinianos. Portanto, ninguém melhor do que um membro dessa congregação para nos dar conta das razões dessa invocação, que tem altares na região sertaneja de Minas. Com a palavra, o frei Agostinho de Santa Maria: “Comunicou o Divino Espírito Santo à Mãe de Deus na Encarnação do Divino Verbo, a maior graça que lhe poderia comunicar. A graça tem por propriedade o fazer-nos tão válidos de Deus, quanto nos faz santos. Era necessário que a Mãe dos pecadores negociasse o despacho da Encarnação (em que estava o remédio dos homens) com Deus. Para o maior valimento, convinha que o Espírito Santo lhe comunicasse a maior graça”.
Nossa Senhora do Bom Despacho é padroeira dos pecadores rebeldes e dos pagãos chamados à fé cristã. É o nome de um antigo distrito de Pitangui, hoje a cidade de Bom Despacho. A igreja matriz se encontra em Cachoeira do Campo, cuja imagem é muito antiga.

Nossa Senhora da Ajuda
Nossa Senhora da Ajuda foi invocação da ermida do sítio do Pombal, em São José do Rio das Mortes, hoje Tiradentes, em homenagem ao mártir da independência. De acordo com o costume, Nossa Senhora da Ajuda, a madrinha do grande pregador da Liberdade, deve ter sido tradição familiar de soldados ou marujos.
No Brasil, a primeira casa que tiveram os jesuítas vindos com Tomé de Souza foi dedicada a Nossa Senhora da Ajuda. A segunda igreja construída pelos mesmos jesuítas, também dedicada à Senhora da Ajuda, foi em Porto Seguro, onde logo se registrou um milagre. Ao construir a casa de Porto Seguro, os jesuítas, dirigidos pelo padre Francisco Pires, ficaram sem água para beber, pois a única nascente ficava muito longe e para chegar a ela precisavam passar por um terreno proibido. Um dia, disseram, então: “Ó, Senhora, se agora nos concedeis aqui uma fonte, ficaríamos nós aliviados e vossa obra iria adiante”. De repente, ouviram um borbulhão de água que, brotando debaixo do altar, foi sair fora da ermida, ao pé de uma árvore. Esta água, claro, ganhou fama de milagrosa.
A devoção de Nossa Senhora da Ajuda deve grande parte de sua expansão em Minas Gerais a moradores de São Paulo, no Vale do Paraíba. A principal sede de seu trono é a cidade de Três Pontas, da qual é padroeira.

Nossa Senhora da Abadia
A história da devoção de Santa Maria de Bouro, mais conhecida como Nossa Senhora da Abadia, é assim narrada por frei Agostinho de Santa Maria: “Certo dia, um ermitão avistou no meio de um vale um clarão curioso; porém, cauteloso, vigiou de longe e constatou que no dia seguinte a mesma claridade se repetia, iluminando grande parte do vale ali por perto. Intrigado, resolveu, durante o dia, examinar o local. Buscou entre uns e outros penedos e achou, no meio de um deles, a imagem de Nossa Senhora, que mostrava estar ali desde tempos antigos. Possivelmente fora escondida por um cristão que temia algum desacato dos bárbaros. Não se pode descrever a alegria que os santos ermitães tiveram à vista daquele tesouro que foi descoberto naquele campo, e as graças que davam a Nosso Senhor por tão singular favor”.
Nossa Senhora da Abadia deu seu nome a uma outra vila do Triângulo Mineiro, Abadia dos Dourados, e tem altares em Patos, Coromandel, Patrocínio.

Nossa Senhora do Amparo
Esse culto parece ter surgido com Jesus Cristo ainda no alto da cruz, quando Este teria lembrado que todos os homens eram filhos de sua Mãe Santíssima, já que sua representação a traz ao pé da cruz, onde seu Filho era invocado como Bom Jesus do Amparo.
Muito popular entre os marujos, essa invocação não tardou a atravessar os mares e se estabelecer entre nós. Foi muito divulgada e querida no norte de Minas. Em todos os recantos dessa região se encontram, nos oratórios de família, as imagens de Nossa Senhora do Amparo, cujo altar público mais conhecido é o da cidade de Januária, à beira do Rio de São Francisco, de que é padroeira.

Nossa Senhora da Oliveira
Segundo lenda cristã, a origem da imagem, que depois se tornou conhecida com o nome de Senhora da Oliveira, lembrava a presença de Santiago Apóstolo nas Espanhas.
Sobre o título de Oliveira – a princípio, Santa Maria de Oliveira –, alguns pensam que nasceu por existir, ao lado de sua capela primitiva, uma milenária oliveira. Mas, outros alertam que a invocação se funda em dois versículos das Escrituras. O primeiro é do ECCLESIASTES e diz: Quasi oliva speciosa in campis. O segundo é de Oseas: Et erit quasi oliva glória ejus. Em português dizem os versículos que a Senhora é como a oliveira, frondosa nos campos, e que a sua glória ou o seu fruto é como o da oliveira. Na simbologia cristã, a oliveira é símbolo de misericórdia.
Seja como for, em Minas, encontram-se várias capelas com altares à Virgem de Santiago. No caminho de Goiás, um antigo pouso de caminhonetes se transformou na cidade de Oliveira e a Senhora tem aí seu altar. No Ivituruí, onde, no começo do Século XVIII, o frio e as ventanias matavam os homens e os derrubavam com a violência dos seus ímpetos, fundou-se o Arraial de Nossa Senhora da Oliveira do Itambé do Mato Dentro. Na região do Piranga, existiu também o Arraial de Nossa Senhora da Oliveira do Piranga, quando o mapa de Minas Gerais era diferente do que é hoje. Infelizmente, não se sabe seu nome atual.

Nossa Senhora da Saúde
A mais antiga invocação de Nossa Senhora da Saúde que se conhece em Portugal é a Porta da Mouraria, em Lisboa. Sobre essa invocação, frei Agostinho escreveu em seu Santuário Mariano, adotando a versão de Cardoso no Angiológio: “A medicina de todas as nossas enfermidades foi sempre Maria Nossa Senhora. Ela é a saúde de todos os nossos males e chagas incuráveis. Pelo ano de 1560, por ocasião da peste, Lisboa se viu tão oprimida deste terrível mal que, procurando seus moradores que remédios haveria para se verem livres dela, acharam que não havia outro mais eficaz que o da intercessão da Virgem Maria Nossa Senhora, pois só ela é o antídoto de todos os males e o remédio mais ativo para desfazer todo cruel veneno. Com esta consideração, recorreram à Mãe de Misericórdia com orações e lágrimas, que é o melhor meio para que ela se compadeça de nossos males. Ouvindo-os, a piedosa Mãe com sua intercessão, suspendeu seu Clementíssimo filho, justamente indignado contra os pecadores, a espada de sua divina justiça. À vista deste favor, mandaram logo fazer uma imagem de Nossa Senhora, para com ela fazerem uma solene procissão em ação de graças por tão grande benefício, como confessavam haver recebido da sua piedosa intercessão”.
Nossa Senhora da Saúde tem altares em Minas: na Lagoa Santa, Sabará, Pinheiro (Piranga), Santo Antônio do Monte, Rio Doce, Dom Silvério e em outros arraiais e lugarejos não mencionados nas relações antigas por não serem paróquias nem distritos. É padroeira de Lambari.

Nossa Senhora da Graça
Em 1362, sob o reinado de Dom Pedro I, alguns pescadores da Vila de Cascais lançaram suas redes ao mar, em Vigília da Assunção de Nossa Senhora, com o intuito de lhe oferecer tudo o que recolhessem naquele laço. Ao levantar as redes, acharam não só toda variedade de peixe como também a imagem da Nossa Senhora, presa pela parte de fora em uma malha.
A devoção a Nossa Senhora da Graça é grande no Norte e nas regiões de Minas. Como freguesias, tivemos Nossa Senhora da Graça da Capelinha, no Jequitinhonha, e Nossa Senhora da Graça do Tremedal, na mesma região.

Nossa Senhora do Porto
Ganhou o título de Vandoma pelo fato do seu culto ter nascido na cidade de mesmo nome. Ali, colocaram-na sobre uma porta (uma das quatro que antigamente tinha o muro daquela cidade), em cujo vão se fez uma capela, onde, ainda hoje, se oferece a Deus o sacrifício de seu Unigênito Filho Sacramento. Daquele tempo até o presente, foi a santa imagem buscada e venerada por toda aquela cidade, que sempre experimentou a sua clemência. À sua proteção atribui-se (como Senhora que é daquela cidade, daquela porta a guarda e defensora) o favor dos seus moradores terem escapado de um grande contágio que houve por aquelas partes.
Daí vem a origem da invocação da Senhora do Porto, que está em algumas localidades de Minas. Existem a Senhora do Porto de Guanhães e a do Porto do Turvo, hoje Andrelândia.

Nossa Senhora das Candeias
A origem da Procissão das Candeias e purificação de Nossa Senhora deu-se numa procissão em louvor da Virgem Maria, a que todos acudiam com círios e luzes. Por causa das luzes, chamou-se a Festa das Candeias, que até hoje usa a Igreja Católica.
Nossa Senhora das Candeias é a padroeira dos alfaiates e costureiras e tem sua imagem protótipo na Sé de Lisboa. Segundo escreveu o licenciado Cardoso em seu Agiológio Lusitano, no altar da Senhora das Candeias da Sé de Lisboa estava também a do alfaiate São Bom Homem, modelo da classe.
Em Ouro Preto, na Capela dos Terceiros de São Francisco, existe também uma imagem desse santo, com o nome de Santo Homobono, que muitas vezes foi visto sair na Procissão de Cinzas e que, provavelmente, em outros tempos, teria pertencido a alguma confraria devota que fazia em Vila Rica a Festa das Candeias.
Além da localidade Senhora das Candeias, no oeste de Minas, tem essa invocação uma imagem e altar no Arraial de São Bartolomeu, próximo de Ouro Preto, e ao qual teria pertencido o Santo Homobono, de São Francisco.

Nossa Senhora do Ó
Na Igreja de Toledo, começou a celebração à Expectação do Parto da Senhora, desejando imitá-la nos imensos e eternos desejos com que suspirava por ver e regalar já em seus braços o Divino Verbo. Aproveitava-se das saudosas vozes com que o rogavam por tantos séculos os santos patriarcas e profetas, como vemos naquelas sete misteriosas antífonas que começam pela letra O e que a Igreja usa nas vésperas dos sete dias antes do nascimento de Cristo, dizendo, aos gritos, a todo o clero e a todo o povo: “ Ó, Ó, Ó”.
Destes “Ó Ó”, deu-se o título à Senhora, pois acreditam que era o mesmo que intitularem a Senhora em seus desejos, ou celebrar a festa dos desejos da Senhora.
No Brasil, a mais antiga sede de trono da Senhora do Ó está em Olinda, Pernambuco. Já a nossa famosa capela mineira da Senhora do Ó, em Sabará, foi construída junto das ricas faisqueiras da Tapanhuacanga, cujos restos ainda hoje se reconhecem nos terrenos adjacentes. Esta capela tem escapado, milagrosamente, da demolição das velhas igrejas.
Nossa Senhora do Ó, de Sabará, está agora sob a proteção do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. E não tem, nem poderia ter, como ficou provado, nenhuma obra do suposto Aleijadinho, já que nem as datas o permitem.

Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos
O imperador Napoleão I não gostava do Papa Pio VII, por esse ter se negado a declarar inválido o casamento do seu irmão Jerônimo com uma senhora protestante, filha de negociante da América do Norte. Sob um pretexto mentiroso, mandou que o general Miollis, em 1809, ocupasse Roma e, em nome do Imperador, declarasse: “Sendo eu Imperador de Roma, exijo a restituição dos Estados Eclesiásticos, doação de Carlos Magno; declaro findo o Império do Papa”. Pio VII protestou energicamente contra essa arbitrariedade e lançou a excomunhão contra Napoleão. Esse, por sua vez, mandou retirar da companhia do Papa todas as pessoas da confiança dele, inclusive o confessor. Pensou em tudo para intimidar seu espírito e quebrar-lhe a resistência. Os maçons inimigos da igreja se rejubilaram com a vitória contra o papado. Pio VII, porém, cheio de confiança, entregou a causa à Providência Divina e a Maria Santíssima, Mãe de Misericórdia, e prometeu uma solene coroação da imagem de Nossa Senhora de Savona.
Em 1812, Pio VII foi levado a Paris. Embora muito doente, teve de seguir viagem. Sem a menor comodidade, o Papa foi tratado como um criminoso. Seu estado de saúde piorou de tal maneira que lhe foram ministrados os últimos sacramentos. Entretanto, sem que ninguém pudesse prever, as coisas mudaram. Napoleão perdeu a batalha de Leipzig e, cedendo à pressão da opinião pública, deu liberdade ao Papa e, no mesmo palácio onde o tinha mantido preso, se viu obrigado a assinar a abdicação. Pio VII voltou a Savona para cumprir seu voto. Atribuiu a vitória da libertação da Igreja sobre a revolução e sua libertação à intercessão de Maria Santíssima. Para testemunhar e imortalizar sua gratidão, instituiu a Festa de Nossa Senhora Auxiliadora.
A invocação de Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos não tinha encontrado nenhum rasto no Brasil até a vinda dos padres salesianos de Dom Bosco. Nossa Senhora Auxiliadora é protetora da liberdade religiosa e começou seu culto em Minas Gerais quando, pela primeira vez, ali esteve o bispo Dom Luís Lasagna, para tratar da fundação da Casa Salesiana de Cachoeira do Campo, onde o Colégio Dom Bosco formou, ao longo do Século XX, ilustres mineiros.

Nossa Senhora de Fátima
Em 1917, em plena guerra mundial, Portugal estava reduzido à miséria. Os gabinetes ministeriais caíam a cada 15 dias, derrubados pela Loja Lusitânia, instituição de fins exclusivamente políticos, instalada no Bairro Alto, em Lisboa. Portugal era um espetáculo triste, fazendo seu povo sofrer as mais duras provações.
Foi em meio a essas calamidades que Nossa Senhora resolveu vir em socorro da terra e da gente que disseminara seu culto nos cinco mares. Sob a invocação de Nossa Senhora de Fátima, Portugal retomou sua missão de erguer altares à Virgem Santíssima, a partir das aparições na Cova da Iria.
A imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima chegou a Belo Horizonte em 19 de dezembro de 1949. Nessa terra, Maria Santíssima fincou os alicerces de seu culto. “Ela nos vem socorrer, nos salvar e nos lembrar que o seu Santíssimo Rosário é a arma contra as insídias diabólicas e as artes da maldade”, disse Lima Júnior.
Entre os ilustres mineiros devotos de Nossa Senhora de Fátima figura o embaixador José Aparecido de Oliveira, que, mesmo depois de deixar a embaixada em Portugal, sempre que possível comemora seu aniversário com uma missa no Santuário da Cova da Iria.
Nada mais representativo da fé católica dos mineiros do que essa infinidade de designações de municípios e distritos de Nossas Senhoras, de santos e devoções. No norte do Estado, por exemplo, há um município que tem o nome de Coração de Jesus.