Livro/Crítica
 
Tribuna de Imprensa - Rio, 22/05/2002
 
A 'Minas' do outro Drummond
Dilermando Nonato Cruz, advogado e jornalista
 

Não se atrevam a pedir qualquer tipo de isenção a Aristóteles Drummond. Ele não sabe ser isento. É um engajado, em tudo que faz. É um passional, à medida que não mistura seu engajamento político com o engajamento do coração, que alavanca todos os seus atos.
É um conservador exaltado, e como apanhou por defender suas idéias, num tempo em que a intransigência e o sectarismo sobrepujavam. Nunca temeu estar fora de do modismo, porque sempre foi fiel ao que o impelia a militância, suas convicções.
Nós, da esquerda, o combateíamos, claro! Mas, no fundo, o respeitávamos. E, afinal, quando assistimos a tantas baixas, tanto adesismos, tanta coopatação, tanto oportunismo, tanta mudança de lado, passamos até a admirá-lo! Afinal, ele continuava lá, altivo, coerente, apanhando de todos os lados (batendo também, é claro!), mas lutando pelo que acreditava. Inarredável, na defesa das suas convicções.
"Minas" é o livro da sua maturidade, das suas raízes, dos seus encantos. Mas, é também, o livro da sua imensa generosidade, estuário que é o encontro que promove entre nossos ancestrais, e nós-mesmos. A historiografia é a da memória, cada verbete é sobre um amigo, uma família amiga, enfim, um verbete-amigo. E neste conjunto, Aristóteles mostra (não se chamasse Aristóteles o peso dos valores acumulados no coração e na alma mineiros.
"Minas" é, na sua linguagem sintética de jornalista rápido no registro da memória (oque não é fácil!), uma enciclopédia montada para imortalidade do registro do que melhor esta no seu feitiço, de mineiro postiço (como eu): seus amigos!
Nosso outro Drummond, fora das divagações de Itabira, procede do estro de Augusto de Lima, da memória histórica de Lima Jr. E, por isso, teve a habilidade de construir no seu livro, a sua "Minas", na Minas dos seus.
Quem não leu o livro de Aristóteles, ainda está em tempo, trate de o ler. Vai descobrir muito de uma Minas Gerais que deixou de existir no tempo, deixando saudades. Mas, também existe - e se sobressai - em Aristóteles Drummond. Para o que der e vier!

 

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Em breve ...
 

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