Colunas
Jornal do Comércio - 10 e 11/Agosto/2003
Fatos e Opiniões - Aristoteles Drummond
 

Falta oposição

O eventual desgaste do Governo, desde setores mais à esquerda aos mais à direita, não implica em fortalecimento dos tucanos como oposição. O voto em Lula foi majoritariamente contra o estilo dos oito anos de tucanato, incluindo a reeleição. O presidente e seu governo sendo pressionados, de um lado, pelo sonho tucano da volta ao poder e, por outro, pelo radicalismo de velhos companheiros, a esta altura novos inimigos. Mesmo assim, com a demora nas reformas e nas ações mais importantes, a maioria silenciosa confia no Governo.
A profundidade e a coragem das diretrizes econômicas falam mais alto do que o histerismo dos descontentes. Mas é tempo de se iniciar uma mexida na equipe, colocado nos lugares certos uma equipe mais operacional e menos debatedora. O momento é de ação, não apenas política e administrativa, mas na própria linha de frente das obras a serem iniciadas pelo governo, ou estimuladas ao setor privado, como novas licitações para privatizar estradas. O sentimento é o de que o Brasil quer que o governo acerte.

 
Meira Matos Homenageado

O general Meira Matos é um dos oficiais mais respeitados de nosso Exército, com uma longa e importante folha de serviços prestados ao Brasil. A começar pela sua presença nos campos de batalha da II Guerra Mundial, como capitão, quando exerceu comando em operações de enfrentamento.
Depois, com uma atuação firme no movimento de 64, já coronel e comandante em Cuiabá, não apenas na vida militar como também na qualidade de Interventor no Estado de Goiás, em momento delicado na vida daquele estado. Nunca deixou de participar e acompanhar a evolução nacional, com muito bom senso e espírito público.
Com mais de 90 anos, foi homenageado pelo Instituto de História e Geografia Militar do Brasil, entidade a que pertence, entre outras de caráter cultural. Meira Matos, conferencista disputado, teve muitos trabalhos - livros e ensaios - publicados pela Biblioteca do Exército,e artigos assinados em importantes jornais brasileiros. Por essas ironias do destino, acabou sua carreira em 1977, como General-de-Divisão, embora tenha se sido subchefe da Casa Militar de Castelo Branco.

 
Casa Certa

Ronaldo César Coelho, o deputado multimilionário, que começou na vida como vendedor de automóveis, sempre cortejou pessoal de esquerda. Mas nunca conseguiu um lugar ao sol neste lado do campo político. Todas as vezes que ensaiou vôos majoritários, ficou apenas com os seus assessores. Agora, feliz com a função de secretário da Saúde da Prefeitura do Rio, onde se sai, aliás, muito bem, verificou que o lado da esquerda em especial a tucana, não terá nunca vez e que será, sempre, para eles, o banqueiro rico. O que é uma injustiça, de vez que deixou suas empresas, vendeu tudo, para ser apenas político.Vai para o PFL.
Se tivesse ido logo no início da carreira já teria chegado longe. É um homem de mãos limpas, gosta da vida pública, é independente financeiramente e não é homem de ambições materiais superiores ao que a vida lhe proporcionou. Pelo contrário, é homem de hábitos simples. E só quer servir. Como é jovem, acordou em tempo.

 
 
À Beira-Mar

>>O senador Aloísio Mercadante tem toda razão quando diz que não há nada demais em aceitar carona aérea de um empresário, ou passar fins de semana em companhia dos mesmos. Não pode é encaminhar pleitos junto aos bancos oficiais.

>>Foi muito sentido o falecimento, em Juiz de Fora, de Fernando Fagundes Neto, político mineiro, que foi deputado federal, secretário de Estado e presidiu a Rede Ferroviária Federal no Governo Sarney.

>>O senador Rodolfo Tourinho, ex-ministro das Minas e Energia, fiel escudeiro do senador ACM, está encantado com a ministra Dilma Roussef.

>>A governadora Rosinha Garotinho, que está prestigiando Petrópolis, com o gás natural e o primeiro restaurante popular do interior, poderia olhar a ocupação ilegal das margens da pista de subida da serra. A favela cresce a olhos vistos.

>>O sempre atento secretário Wagner Victer está gratíssimo ao apoio do vice-presidente José Alencar à refinaria do Rio. Programa, inclusive, com a governadora, diversas manifestações de reconhecimento dos fluminenses ao ilustre homem público mineiro.

>>Aécio Neves terá almoço de adesões na Associação Comercial do Rio, dia 18, com forte apoio da colônia mineira.

>>A governadora Rosinha Garotinho compareceu ao jantar de gala do Jockey, com o ex-governador e secretário de Segurança Anthony Garotinho e de seu sub, Marcelo Itagiba, com Gabriela, que formam um casal muito estimado na cidade.
>>O governador Aécio Neves passou o último dinal de semana no Rio. Acompanhou um check-up de sua avó, Risoleta Neves, no Hospital Copa D' Or.

>>A casa de Roberto Marinho no Cosme Velho, onde foi velado, foi sua residência durante quase sessenta anos. Homem que apreciava o conforto, era, entretanto, um homem de vida austera e sem afetação. Construiu um império sem perder esta maneira de ser. Cercado pela sua pinacoteca, suas imagens barrocas, seu jardim tão apreciado. Uma geração que deu ao Brasil grandes homens.

>>Esta semana o hipismo faz presença em Miguel Pereira, que entra na rota hípica com um centro que o campeão olímpico Luis Felipe de Avezedo instalou no municípiio, em área de quinze alqueires, na antiga propriedade do saudos senador Aarão Steinbruch. O campeão passa a dividir seu tempo entre a Bélgica e a propriedade da região serrana.

 

Artigos
 
Revista Encontro - Agosto/2003 Ano II N°18 pág. 88
Rio de Janeiro - Aristoteles Drummond
PARALISIA PERIGOSA
 

A falta de projetos públicos em execução, a desistência de muitos da construção de novas usinas em razão de problemas com licenciamento de meio ambiente, as ações do MST, a falta de objetividade nas reformas e a orquestração tucana na mídia. Tudo isso forma o caldo do desgaste do governo e do presidente Lula. As atenções com a base de apoio parlamentar estão ainda muito tímidas, por um lado, e de má qualidade, por outro. As reformas precisam de forte apoio dos governadores e estes de uma ajuda em suas contas com a União. O Brasil tem pressa, precisa retomar o crescimento, não pode viver dos saldos da balança comercial que estão chegando a seu limite. O superávit primário é bom, mas custa sacrifícios que não devem ser mantidos por um período muito longo. A conjuntura mundial não é favorável e outros países têm demonstrado maior agilidade. O governo está bem de cúpula, mas deixa a desejar nas posições intermediárias, entregues a sinceros, mas despreparados companheiros. Pode estar na hora da convocação dos profissionais.

 

voltar para página inicial